Peixe-boi da Amazônia

Peixe-Boi da Amazônia (Trichechus inunguis)

É a menor espécie de peixe-boi do mundo, chegando a até 3 metros de comprimento e 450 kg de peso. Sua coloração varia de cinza à preto, com uma mancha específica de cor branca ou rosada na barriga que pode ser comparada à uma impressão digital. Diferentemente das outras espécies de peixes-bois, não apresenta unhas nas nadadeiras peitorais. A nadadeira caudal é grande, arredondada e achatada dorso-ventralmente, ligada ao corpo por um pedúnculo caudal grosso e possante. O peixe-boi não possui nadadeira dorsal.

É um mamífero aquático endêmico da Amazônia, ou seja, essa espécie é exclusiva dos rios da Bacia Amazônica. Foi maciçamente explorado no passado, mas ainda ocorre na maior parte de sua distribuição original, desde o Peru, Colômbia, Equador até a foz do rio Amazonas no Brasil. Sua distribuição nos rios de água branca, preta e clara está relacionada às variações sazonais de cheias e vazantes dos rios, e limitada por cachoeiras. No estuário amazônico, entorno da Ilha do Marajó-PA e costa do Amapá, vive em simpatria com o peixe-boi marinho.

O peixe-boi da Amazônia é herbívoro, alimenta-se de grande variedade de plantas aquáticas e semi-aquáticas, e consome cerca de 8% de seu peso vivo em alimento por dia. Dessa forma, contribui para a ciclagem de nutrientes nos rios e controle de plantas aquáticas nos lagos, que dificulta a entrada de luz solar nos rios e até mesmo o transporte de pequenas embarcações.

A maturidade sexual é estimada em pelo menos seis anos, quando os indivíduos atingem aproximadamente dois metros de comprimento. O pico de nascimento ocorre no início da cheia, período em que o alimento é mais abundante. Por conta das pesquisas do Projeto Peixe-boi, sabe-se que a gestação dura cerca 12 meses, havendo uma sincronização do estro das fêmeas com a época maior disponibilidade de alimento na natureza. Normalmente, é gerado um filhote por gestação, e a lactação dura no mínimo dois anos. Apresenta baixa taxa reprodutiva, com intervalo entre nascimentos de pelo menos três anos, o que dificulta a recuperação das populações.

Não existe informação sobre tamanho de grupo e estrutura social. São animais relativamente solitários, cuja unidade social mais duradoura é entre mãe e filhote, que pode durar mais de dois anos. Agregações temporárias podem ocorrer durante o período reprodutivo e a estação seca.

A longevidade do peixe-boi da Amazônia é estimada em 60 anos. O comportamento discreto da espécie, aliado à turbidez das águas dos rios amazônicos, dificultam a observação direta e a contagem dos indivíduos na natureza, de modo que não há estimativas de abundância confiáveis. Historicamente, as populações eram mais abundantes do que hoje.

Ocorre nos sistemas de rios de águas brancas, pretas e claras, sendo mais abundante em águas brancas, onde existe maior produção primária. O uso do habitat pelo peixe-boi está fortemente relacionado às variações sazonais de cheias e vazantes que ocorrem nos rios da região. Na estação chuvosa e águas altas, ocupa áreas de floresta alagada, como várzeas e igapós, que detém alta disponibilidade de plantas aquáticas, e migra para lagos de terra firme e canais profundos dos rios principias na época de águas baixas.

Por conta do metabolismo lento, o peixe-boi pode ficar até 20 minutos embaixo d´água. Ele não precisa de dentista, pois troca de dentes a vida inteira e possui apenas dentes molares enfileirados horizontalmente. Formados na mandíbula e na maxila, movem-se como uma esteira cerca de 1 milímetro por mês. Assim, os dentes mais velhos e gastos na frente da fileira caem, e são substituídos por dentes mais novos em melhor estado de conservação.

O peixe-boi é caçado desde antes da chegada dos primeiros europeus as Américas. No Brasil, mesmo protegido por lei desde 1967, continua sendo caçado para subsistência de comunidades ribeirinhas, mas principalmente para manter um comércio ilegal da carne em diversos mercados da região amazônica. Além disso, a utilização crescente de redes de espera aumentou os registros de captura acidental de filhotes, sendo esta uma real ameaça para a espécie. A degradação do habitat em virtude dos desmatamentos, assoreamento nas margens e construções de hidrelétricas são ameaças relevantes. Por conta disso, no Brasil e no Mundo a espécie é considerada ameaçada de extinção na categoria Vulnerável (lista IUCN).